domingo, 7 de julho de 2013

SILÊNCIO...

Platão disse uma vez aos seus discípulos: “Os homens e os vasos de terracota se conhecem do mesmo modo: os vasos, quando tocados, têm sons diferentes; os homens se distinguem facilmente pelo seu modo de falar”.

Na etimologia da palavra, silêncio vem de silentium, de silens (silere) que significa estar em repouso, tranqüilidade, descanso.

O pensamento do filósofo Iniciado oferece-nos uma excelente oportunidade para uma profunda reflexão. Nem sempre nos damos conta de como nos tornamos prisioneiros das palavras que proferimos. Por serem expressão do nosso pensamento, por traduzirem as idéias e os sentimentos, as palavras se tornam um centro emissor de vibrações, tanto positivas quanto negativas. A palavra é o elemento que identifica o Homem e é a síntese de todas as forças vitais; é o elemento que interliga todos os planos, do mais denso ao mais sutil. A palavra está intimamente ligada ao silêncio, outra sublime expressão da psique humana. No mundo profano a palavra - falada ou escrita - é usada indiscriminada e abusivamente. O Homem Utiliza a palavra por vezes como uma lança. 

As palavras ofendem , humilham, magoam e denigrem a honra do próximo. Infelizmente por vezes “abusa-se” do uso das palavras, não só no mundo profano como também no Mundo Maçônico. Tal situação é inconcebível em um Irmão Maçom, pois no estudo dos símbolos ele aprende a refletir sobre o conteúdo oculto das palavras que, em última análise, refletem a essência interior do ser humano. Não é por acaso que a Ordem Maçônica reserva o silêncio aos seus membros, de acordo, aliás, com uma tradição Messiânica e mais recentemente Pitagórica. 

A Escola Iniciática de Pitágoras tinha um sistema de três graus: o de Preparação, o de Purificação e o de Perfeição. O neófito no grau de Preparação, equivalente ao grau maçônico de Aprendiz, era proibido de falar; era só ouvinte e cumpria um período de observação de três anos, durante o qual a regra era calar e meditar (pensar) no que ouvia. No grau de Purificação, equivalente ao de Companheiro Maçom, o silêncio prolongava-se por mais dois anos, adquirindo este Irmão o direito de ouvir as palestras do Mestre. Assim, para atingir o grau de Perfeição, equivalente ao de Mestre Maçom, quando então os Irmãos podiam fazer uso da palavra, era necessário praticar o silêncio durante cinco anos. Nas reuniões maçônicas, sem dúvida, constitui uma prova de sabedoria saber ouvir e manter o silêncio. Chílon, um sábio da Grécia Antiga, quando questionado sobre qual a virtude mais difícil de praticar, respondia: “calar”. No mundo maçônico, a dimensão da palavra falada e escrita não é diferente. 

Ao entrar em nossa Sublime Instituição encontramos, na ritualística, referências à sacralidade da palavra que, como meio de expressão dos pensamentos e dos sentimentos, deve ser sempre doseada, moderada, e deve espelhar o equilíbrio interno do orador. Em nossa Ordem, a palavra deve ser usada com ponderação e cautela empregada com um sentido de ensinamento e orientada apenas aquele que a consegue escutar. O silêncio, a meditação e o raciocínio, são a única via que leva à libertação das paixões. Além de exercitar a autodisciplina, em seu silêncio o Maçom apreende com muito maior intensidade tudo o que ouve e tudo o que vê. Assim, a voz do Irmão que se mantém em silêncio é a sua voz interior, quando ele dialoga consigo mesmo e, neste diálogo, analisa, critica, tira suas próprias conclusões e aprimora o seu caráter. Em suma, pelo silêncio, a Maçonaria estimula os Irmãos a desenvolver a arte de pensar, a verdadeira e nobre Arte Real... 

O silêncio absoluto já não está conectado ao tempo; está para além dele. 

A música nasce do silêncio e retorna ao mesmo. Existe um silêncio antes e depois, como o nascimento e a morte. O silêncio inicial é uma promessa ou ameaça. O silêncio terminal designa talvez o nada ao qual a vida retorna. O silêncio é ele mesmo Iniciação .

O silêncio é indispensável e decisivo no processo de lapidação da Pedra Bruta e no aperfeiçoamento do seu Templo Interior. Ao Bater três vezes á porta do Templo , trazendo consigo a liberdade total de expressão, sem as restrições que lhe impõem a moral e a razão, o novo Maçom aprende a controlar os seus impulsos, pela prática Messiânica do silêncio. Assim ele aprimora o seu caráter e prepara-se para ser um líder, numa sociedade na qual prevaleçam a Liberdade responsável, a Igualdade de oportunidades e a Fraternidade solidária.

Para os egípcios o poder do silêncio vai mais longe, personificando este em um Deus – Harpocrates, tornando assim a omissão da “palavra” num acto Poderoso de veneração poder e respeito.

Harpocrates è retratado sendo amamentado por Ísis ou por Hátor. Ambas amamentaram-no e criaram-no justamente para que pudesse vingar-se de seu tio Seth, o rei mau do Alto Egito que matara seu pai Osíris.

Também podia ser identificado com o deus-Sol que renascia a cada manhã, dissipando as trevas, sendo, então, mostrado a emergir de uma flor de lótus que flutua sobre as águas celestiais. Ele simbolizava o incessante renovar da vida, a eterna juventude, tudo aquilo que perpetuamente renasce devido às alternâncias da vida e da morte.

Num período mais tardio (c. 712 a 332 a.C.), essa divindade tornou-se bastante popular e aparecia representada como uma criança nua em pé sobre um crocodilo, tendo nas mãos cobras e escorpiões. Ficou, então, conhecido como um deus com poder de curar as pessoas que tivessem sido mordidas por cobras ou picadas por escorpiões. Ainda podia personificar segundo alguns autores, os germens que começam a brotar, já que seu pai era uma divindade agrária, ou o Sol debilitado do inverno.

Entretanto, Plutarco afirma: "Não se deve imaginar que Harpócrates seja um deus imperfeito em estado de infância, nem grão que germina. Assenta melhor considerá-lo como o que retifica e corrige as opiniões irreflexivas, imperfeitas e truncadas no concernente aos deuses, e tão difundidas entre os homens. Por isso, e como símbolo de discrição e silêncio, esse deus aplica o dedo sobre os lábios."

Se usares da palavra, faz com o coração, em silêncio...

Desaprendemos o valor do silêncio e fazemos de tudo para preenchê-lo – nem que seja com discursos vazios. Ter discernimento ao falar e aprender a calar são,mais que uma meta, um caminho para a paz interior. -- Lao Tzu

Tenho dito!



Ricardo Jorge, M.’.M.’.

GOB - Brasil

terça-feira, 25 de junho de 2013

APARÊNCIA E REALIDADE



 O que é real? O que é mera aparência? Como podemos saber a diferença?
Essas três perguntas deram origem à filosofia. Antes de Platão e Sócrates, os filósofos pré-socráticos  argumentavam  que a realidade era fundamentalmente  diferente das aparências. Parmênides postulava que a realidade era “una” e imutável, enquanto Heráclito propunha que era “fluida”. Para Pitágoras, a realidade era “música”, para Thales era “água”, e para Demócrito, era composta de “átomos”.
A fama de Platão como pai da filosofia reside em parte em suas organização e integração da multiplicidade de ideias  pré-socráticas com os ensinamentos de seu professor. Como explica Roger Paden, professor de filosofia da ética da George Mason University:
Para os gregos, aquele que conhece apenas as aparências  é basicamente ignorante...O primeiro passo na filosofia, como na vida, está em compreender que as aparências são de certa forma ilusórias – não completamente, mas de um modo geral. O segundo passo, é perceber que existe uma realidade por trás das aparências. O terceiro, conhecer essa realidade. O último se dá pelo entendimento dessas aparências em termos dessa realidade subjacente. Conecte isso  à história da caverna e você verá que, para Platão, a realidade estável por trás das aparências, são as formas, unidas pela forma única do Bem. As aparências são uma sombra  das formas e precisam ser compreendidas em termos de formas.

            (*) Extraído do Livro “Como Descobrir Sua Genialidade”

sexta-feira, 21 de junho de 2013

OS HERDEIROS POLÍTICOS DE GANDHI...



MARTIN LUTHER KING(1929-1968)
A filosofia de Gandhi tem tido uma influência notável em outros movimentos políticos modernos, especialmente na campanha americana pelos direitos civis  liderada pelo Dr. Martin Luther King. Um brilhante defensor da liberdade, King introduziu nos Estados Unidos o credo do Mahatma de resistência pacífica, com resultados históricos. Ele prestou uma homenagem a Gandhi em sua autobiografia:
  “Gandhi foi provavelmente a primeira  pessoa na história a erguer a ética de amor de Jesus acima da mera interação entre indivíduos a uma força social poderosa e eficaz em grande escala. O amor para Gandhi era um instrumento poderoso de transformação de reforma social  e coletiva .Foi nessa ênfase de Gandhi em amor e não-violência que descobri o método de reforma social que estava buscando.
  “A satisfação  moral e intelectual que não consegui obter do utilitarismo de Bentham e Mill, dos métodos revolucionários de Marx e Lenine, da teoria do contrato social de Hobbes, do otimismo da “volta à natureza” de Rousseau, da filosofia do super-homem de Nietzsche, encontrei na filosofia de resistência pacífica de Gandhi...
   “Gandhi conseguiu mobilizar e eletrizar mais pessoas durante sua vida do qualquer outra pessoa na história do mundo. Com apenas um pouco de amor e compreensão, boa vontade e a recusa de cooperar com uma lei funesta, ele conseguiu quebrar a espinha dorsal do Império Britânico. Isso, a meu ver, foi um dos fatos mais significativos que já aconteceram na  história mundial. Mais de 390 milhões de pessoas conseguiram sua liberdade e a conseguiram sem violência.” 
                         (*) Extraído Livro "Como Descobrir a Sua Genialidade" 

  

quarta-feira, 12 de junho de 2013

UM PERFIL DE BENJAMIN FRANKLIN


Benjamin Franklin foi, como Jefferson, um gênio multifacetado, jornalista, cientista, inventor, diplomata e pensador iluminista. As realizações de Franklin são extraordinárias. Embora tenha vindo de família humilde e sua educação formal ter sido encerrada quando ainda tinha dez anos, o zelo de Franklin pela liberdade, pelo conhecimento e pela vida mudaram o mundo.
Franklin iniciou a vida profissional como tipógrafo. Em 1729, com apenas 23 anos, comprou a Pennsylvania Gazette. Impelido por um espírito ardente de empreendimento individual e um gigantesco entusiasmo, tornou-se o protótipo americano  do êxito. Escreveu e imprimiu o Poor Richard’s Almanack, onde regularmente aconselhava os leitores  a como alcançar êxito. Franklin também conduziu uma famosa experiência em eletricidade, o que lhe valeu a eleição como membro da Royal Society de Londres. Ele provou que o raio e a eletricidade  eram idênticos  e demonstrou a distinção entre cargas positivas e negativas.
Franklin  inventou os óculos bifocais, um fogão eficiente e o para-raios para proteger as casas. Também mapeou as rotas das tempestades sobre a América do Norte e o curso da corrente do Golfo.
Durante os vários anos que passou em Paris, onde era muito admirado, Franklin  obteve o apoio francês  para os Estados Unidos na Guerra da Independência e, ao mesmo tempo, ajudou a exportar noções igualitárias de liberdade e amor fraternal; podemos aprender seu espírito no lema “Liberté, Egalité, Fraternité” que levou os franceses  a depor sua própria forma de despotismo em 1789.
Quando mais tarde Jefferson visitou o ministro de relações exteriores da França,  conde Vergennes, este perguntou-lhe se viera substituir “Le Docteur  Franklin” . Jefferson respondeu: “Ninguém  pode substitui-lo, senhor. Sou apenas seu sucessor.”
Em” Founding Brothers” , Joseph Ellis comenta: “O que Voltaire foi para a França, Franklin foi para os Estados Unidos: o símbolo da chegada triunfal da humanidade à modernidade.” Ellis diz a respeito de Franklin: “O maior cientista americano, o diplomata mais hábil, o mais consumado estilista em prosa, a inteligência mais brilhante, Franklin desafiou todas as categorias, habitando todas elas com enorme distinção e uma graça indiferente.”

                 (*) Extraído do Livro “Como descobrir sua  Genialidade”.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

BELEZA E HARMONIA DO UNIVERSO...




A beleza que adorna e impulsiona a execução de nossas ações, possui na Harmonia um dos componentes vibratórios que melhor nos faz compreender a vida como um todo em que impera o equilíbrio.
A Harmonia resulta do movimento alternado das duas correntes de força que constituem a vida, quando uma forma de vida “termina”, isto é, quando a energia se transforma, ocorrendo o que chamamos “morte” – transição –, outra forma de vida surge em seu lugar, e ela manifesta-se novamente. “Quando um espírito morre, transforma-se em homem; quando morre um homem, transforma-se em espírito”, eis o que diz um preceito oriental.
Para melhor apreciarmos a grandiosidade dessa Lei, convém meditarmos na afirmação de Goethe: “A morte é o artifício de que lança mão a natureza a fim de adquirir mais vida”.
Sabemos, portanto, que tudo o que existe no Universo, possui vida e vibra em determinado grau de harmonia, constituindo uma nota melodiosa inserida no imenso edifício de sons do Grande Conserto do Universo, que possui como fonte criadora e estimulante a música de suaves acordes das esferas cósmicas, essência musical vibratória do Grande Arquiteto e Criador do Universo.
Sabemos que não existe na natureza o repouso absoluto; tudo encontra-se em vibração de crescente concórdia. Do reino mineral ao animal, da célula aos sete corpos do homem, da voz humana aos poderosos edifícios de sons de maravilhosas nuances da música, do corpo físico ao espírito divino, e desde o mais insignificante átomo até o maior Sol de todos os Sistemas, tudo vibra em maior ou menor grau de Sintonia com o Cosmos. E a origem dessa energia harmônica está situada no Espírito, Fonte de sonoridade perfeita, Suprimento do Criador.
Esta Fonte é vida, ordem e paz, uma Harmonia Universal que fundamenta toda a ordem social e humana.
O próprio organismo humano vibra harmonicamente e, quando tais vibrações encontram obstáculos à sua livre manifestação, passa-se para o estado de desequilíbrio no qual o movimento alternativo de trocas vitais se processa de forma irregular. E quando isso ocorre afirmamos que há problemas de saúde no corpo do homem. A regra, no entanto, é a consonância perfeita, ficando a desarmonia por conta da exceção. Uma célula que morre, por exemplo, faz com que nasça em seu lugar outra célula com características idênticas às suas, realizando-se com isso a renovação sintônica do organismo.
A regra, pois, é o equilíbrio, a serenidade, a paz. Na organização social, tais condições deverão manifestar-se igualmente, como regra, enquanto que a desordem, a delinqüência, o delito e os conflitos, como exceção, ou seja, a violação da Lei.
Percebemos com isso que a própria ordem da sociedade corresponde a uma determinação subjacente no Universo, que sustenta todas as tentativas humanas de ordenar as coisas.
Assim, cada pensamento harmônico e cada gesto de ordem é um sinal de transcendência.
Fritjof Capra, pesquisador e escritor contemporâneo, observa o nosso mundo em termos de relações harmônicas e de integração. Salienta o pesquisador que todas as crises existentes e noticiadas pela imprensa, são “facetas diferentes de uma só crise, que é essencialmente a crise de percepção”. Informa-nos também quanto as ciências do comportamento, quanto as ciências sociais e, especialmente a economia, devem possuir em sua base a visão sistêmica da vida, em que as totalidades integradas não podem ser reduzidas ou separadas. E exemplifica afirmando que todo e qualquer organismo, desde a menor bactéria até os seres humanos, passando pela imensa variedade de animais – é uma totalidade integrada. Desta forma, a noção de doença como resultado de uma forma de integração harmônica nos organismos vivos, compreendidos em termos de padrões rítmicos alterados, nos leva a concluir que ser saudável significa estar em sintonia consigo mesmo – física e mentalmente – e em sincronia com o mundo circundante.
Diante disso, e em face do Universo estar repleto de harmonia e pelo fato dos próprios planetas gravitarem em redor de um centro comum pela Lei da Harmonia, será de bom alvitre que, como verdadeiros irmãos, continuemos vibrando em pensamento para que tal energia flua interpenetrando-nos, e reine entre todos os habitantes de nosso planeta. Assim, nossas vibrações manifestar-se-ão como idéias e sentimentos, que golpearemos com força transformando-se em pensamentos de compreensão para com toda a humanidade. No entanto, como bem salientava Francisco Waldomiro Lorenz, “não basta termos bons pensamentos; é necessário dar-lhes força vital suficiente para vencerem os obstáculos que encontram em seu desenvolvimento”.
Vibremos, pois, em sintonia com o Cosmos que, em última análise, é o Amor, Alegria e Beleza, essência do Criador, Arquiteto e Geômetra da Harmonia e Beleza do nosso Universo.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Versos Íntimos...






Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!


Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

                                          Augusto dos Anjos


sábado, 6 de abril de 2013

ARISTÓTELES...


Aristóteles (em grego antigo: Ἀριστοτέλης, transl. Aristotélēs; Estagira, 384 a.C. — Atenas, 322 a.C.) foi um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande. Seus escritos abrangem diversos assuntos, como a física, a metafísica, as leis da poesia e do drama, a música, a lógica, a retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia. Juntamente com Platão e Sócrates (professor de Platão), Aristóteles é visto como um dos fundadores da filosofia ocidental. Em 343 a.C. torna-se tutor de Alexandre da Macedónia, na época com 13 anos de idade, que será o mais célebre conquistador do mundo antigo. Em 335 a.C. Alexandre assume o trono e Aristóteles volta para Atenas, onde funda o Liceu (lyceum) em 335 a.C..Seu ponto de vista sobre as ciências físicas influenciou profundamente o cenário intelectual medieval, e esteve presente até o Renascimento - embora eventualmente tenha vindo a ser substituído pela física newtoniana. Nas ciências biológicas, a precisão de algumas de suas observações foi confirmada apenas no século XIX. Suas obras contêm o primeiro estudo formal conhecido da lógica, que foi incorporado posteriormente à lógica formal. Na metafísica, o aristotelismo teve uma influência profunda no pensamento filosófico e teológico nas tradições judaico-islâmicas durante a Idade Média, e continua a influenciar a teologia cristã, especialmente a ortodoxa oriental, e a tradição escolástica da Igreja Católica. Seu estudo da ética, embora sempre tenha continuado a ser influente, conquistou um interesse renovado com o advento moderno da ética da virtude. Todos os aspectos da filosofia de Aristóteles continuam a ser objeto de um ativo estudo acadêmico nos dias de hoje. Embora tenha escrito diversos tratados e diálogos num estilo elegante (Cícero descreveu seu estilo literário como "um rio de ouro"), acredita-se que a maior parte de sua obra tenha sido perdida, e apenas um terço de seus trabalhos tenham sobrevivido.
Apesar do alcance abrangente que as obras de Aristóteles gozaram tradicionalmente, os acadêmicos modernos questionam a autenticidade de uma parte considerável do corpus aristotélico.
Foi chamado por Augusto Comte de "o príncipe eterno dos verdadeiros filósofos", por Platão de "O Leitor" (pela avidez com que lia e por se ter cercado dos livros dos poetas, filósofos e homens da ciência contemporâneos e anteriores) e, pelos pensadores árabes, de o "preceptor da inteligência humana". Também era conhecido como O Estagirita, por sua terra natal, Estagira.
Aristóteles era natural de Estagira, na Trácia, sendo filho de Nicômaco, amigo e médico pessoal do rei macedônio Amintas III, pai de Filipe II. É provável que o interesse de Aristóteles por biologia e fisiologia decorra da atividade médica exercida pelo pai e pelo tio, e que remontava há dez gerações.
Segundo a compilação bizantina Suda, Nicômaco era descendente de Nicômaco, filho de Macaão, filho de Esculápio. Com cerca de 16 ou 17 anos partiu para Atenas, maior centro intelectual e artístico da Grécia. Como muitos outros jovens da época, foi para lá prosseguir os estudos. Duas grandes instituições disputavam a preferência dos jovens: a escola de Isócrates, que visava preparar o aluno para a vida política, e Platão e sua Academia, com preferência à ciência (episteme) como fundamento da realidade. Apesar do aviso de que, quem não conhecesse Geometria ali não deveria entrar, Aristóteles decidiu-se pela academia platônica e nela permaneceu vinte anos, até a morte de Platão, no primeiro ano da 108a olimpíada (348 a.C.).
Espeusipo, sobrinho de Platão , foi por ele nomeado escolarca da academia, e assim Aristóteles partiu para Assos com alguns ex-alunos. Dois fatos parecem se relacionar com esse episódio: Espeusipo representava uma tendência que desagradava Aristóteles, isto é, a matematização da filosofia; e Aristóteles ter-se sentido preterido (ou rejeitado), já que se julgava o mais apto para assumir a direção da Academia, no entanto não assumira devido principalmente ao fato de que não era grego, mas imigrante da Macedônia.
Em Assos, Aristóteles fundou um pequeno círculo filosófico com a ajuda de Hérmias, tirano de Atarneu e eventual ouvinte de Platão. Lá ficou por três anos e casou-se com Pítias, sobrinha de Hérmias. Assassinado Hérmias, Aristóteles partiu para Mitilene, na ilha de Lesbos, onde realizou a maior parte das famosas investigações biológicas. No ano de 343 a.C. chamado por Filipe II, tornou-se preceptor de Alexandre, função que exerceu até 336 a.C., quando Alexandre subiu ao trono.
Neste mesmo ano, de volta a Atenas, fundou o Lykeion, origem da palavra Liceu (lyceum) cujos alunos ficaram conhecidos como peripatéticos (os que passeiam), nome decorrente do hábito de Aristóteles de ensinar ao ar livre, muitas vezes sob as árvores que cercavam o Liceu. Ao contrário da Academia de Platão, o Liceu privilegiava as ciências naturais. Alexandre mesmo enviava ao mestre exemplares da fauna e flora das regiões conquistadas. O trabalho cobria os campos do conhecimento clássico de então, filosofia, metafísica, lógica, ética, política, retórica, poesia, biologia, zoologia, medicina e estabeleceu as bases de tais disciplinas quanto a metodologia científica.
Aristóteles dirigiu a escola até 324 a.C., pouco depois da morte de Alexandre. Os sentimentos antimacedônicos dos atenienses voltaram-se contra ele que, sentindo-se ameaçado, deixou Atenas afirmando não permitir que a cidade cometesse um segundo crime contra a filosofia (alusão ao julgamento de Sócrates). Deixou a escola aos cuidados do principal discípulo, Teofrasto (372 a.C. - 288 a.C.) e retirou-se para Cálcis, na Eubeia.Segundo a compilação bizantina Suda, Nicômaco era descendente de Nicômaco, filho de Macaão, filho de Esculápio.Com cerca de 16 ou 17 anos partiu para Atenas, maior centro intelectual e artístico da Grécia. Como muitos outros jovens da época, foi para lá prosseguir os estudos. Duas grandes instituições disputavam a preferência dos jovens: a escola de Isócrates, que visava preparar o aluno para a vida política, e Platão e sua Academia, com preferência à ciência (episteme) como fundamento da realidade. Apesar do aviso de que, quem não conhecesse Geometria ali não deveria entrar, Aristóteles decidiu-se pela academia platônica e nela permaneceu vinte anos, até a morte de Platão, no primeiro ano da 108a olimpíada (348 a.C.).Espeusipo, sobrinho de Platão [10], foi por ele nomeado escolarca da academia, e assim Aristóteles partiu para Assos com alguns ex-alunos. Dois fatos parecem se relacionar com esse episódio: Espeusipo representava uma tendência que desagradava Aristóteles, isto é, a matematização da filosofia; e Aristóteles ter-se sentido preterido (ou rejeitado), já que se julgava o mais apto para assumir a direção da Academia, no entanto não assumira devido principalmente ao fato de que não era grego, mas imigrante da Macedônia.
Em Assos, Aristóteles fundou um pequeno círculo filosófico com a ajuda de Hérmias, tirano de Atarneu e eventual ouvinte de Platão. Lá ficou por três anos e casou-se com Pítias, sobrinha de Hérmias. Assassinado Hérmias, Aristóteles partiu para Mitilene, na ilha de Lesbos, onde realizou a maior parte das famosas investigações biológicas. No ano de 343 a.C. chamado por Filipe II, tornou-se preceptor de Alexandre, função que exerceu até 336 a.C., quando Alexandre subiu ao trono.
Neste mesmo ano, de volta a Atenas, fundou o Lykeion, origem da palavra Liceu (lyceum) cujos alunos ficaram conhecidos como peripatéticos (os que passeiam), nome decorrente do hábito de Aristóteles de ensinar ao ar livre, muitas vezes sob as árvores que cercavam o Liceu. Ao contrário da Academia de Platão, o Liceu privilegiava as ciências naturais. Alexandre mesmo enviava ao mestre exemplares da fauna e flora das regiões conquistadas. O trabalho cobria os campos do conhecimento clássico de então, filosofia, metafísica, lógica, ética, política, retórica, poesia, biologia, zoologia, medicina e estabeleceu as bases de tais disciplinas quanto a metodologia científica.
Aristóteles dirigiu a escola até 324 a.C., pouco depois da morte de Alexandre. Os sentimentos antimacedônicos dos atenienses voltaram-se contra ele que, sentindo-se ameaçado, deixou Atenas afirmando não permitir que a cidade cometesse um segundo crime contra a filosofia (alusão ao julgamento de Sócrates). Deixou a escola aos cuidados do principal discípulo, Teofrasto (372 a.C. - 288 a.C.) e retirou-se para Cálcis, na Eubeia. Nessa época, Aristóteles já era casado com Hérpiles, uma vez que Pítias havia falecido pouco tempo depois do assassinato de Hérmias, seu protetor. Com Hérpiles, teve uma filha e o filho Nicômaco. Morreu a 322 a.C.