domingo, 10 de novembro de 2013

"A MAÇONARIA E A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA"

Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas respostas (VOLTAIRE). Onde florescem os ensinamentos maçônicos não vicejam a ditadura, a soberania dos poderes arbitrários, nem a dominação daqueles conquistadores violentos que denigrem a condição da criatura humana (RUI BARBOSA). Ir.'. Max Cleberson dos Santos Cunha - CIM: 230.643 Or.'.de Goiânia-GO Verão de 2012, da E.'.V.'. I - PROLEGÔMENOS. É cediço que a Maçonaria tem participado dos grandes movimentos revolucionários, que de alguma forma, trouxeram melhorias e evolução para a humanidade, e não sobrepairam dúvidas, que isso se deve ao inconformismo e o descontentamento que a nossa sublime Ordem mantém contra o status quo dominante que cometem iniquidades, tiranias, perseguições, jugos e todas as formas de injustiças. Nesta esteira, citamos a participação ativa da Maçonaria na Revolução Americana de 1776, que teve, dentre outros maçons como expoentes, Thomas Jefferson e George Washington1, sendo que este último foi aclamado como o primeiro presidente dos Estados Unidos; A Revolução Francesa em 1789 foi um dos acontecimentos mais importantes para humanidade, pois rompeu com o sistema servil do absolutismo representado pelo ancien regime, e proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, dentre seus líderes alguns eram maçons ilustres: La Fayette, Danton, Robespierre, Denis Diderot, D’Alembert, Jean-Jacques Rousseau2 e Voltaire3; destaca-se ainda, a intensa atividade de maçons no processo de independência da América espanhola, como San Martin que ajudou a libertar a Argentina (1816) e o Chile (1818), e Simon Bolívar, que por sua vez libertou a Colômbia (1819) e a Venezuela (1821). Nessa quadra, temos que, em nosso país, a Maçonaria teve decisiva participação nos grandes movimentos históricos, dos quais se destacam a Independência do Brasil, a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República. Essas ações engendradas por ilustres maçons, avultam-se de tal importância que, alguns maçonólogos chamam-na de a bandeira tríplice da maçonaria brasileira4, comparando-a com o tema dos revolucionários franceses de 1789. A presente Peç.'. de Arqu.'. tem como escopo, esmiuçar as circunstâncias que envolveram a participação da maçonaria na proclamação da república, tendo como premissa os elementos, o contexto histórico, e os objetivos dos maçons enquanto atores envolvidos no processo. Cônscio de que o tema em apreço não é tão desnudado pelos autores, revelado pela parca literatura sobre o tema, quando comparado com o assunto da participação da maçonaria na declaração da independência do Brasil, por exemplo, e isso é um dessas injustiças inexplicáveis ante a importância da discussão e o que tal acontecimento trouxe de evolução para o nosso país, não nos furtaremos em discutir esse assunto nas próximas linhas. Nesse diapasão, deve-se estabelecer a importância do tema enquanto encampada pela maçonaria, eis que, como dito alhures nossa ordem não tem atos de genuflexão ante a submissão ou aos desmandos, desta feita, a contextualização nos revelará a necessidade da ação da maçonaria para a proclamação da república, para a partir daí, verificarmos os caminhos que atualmente nossa ordem devem encampar. Urge esclarecer, ab initio, que, ao revés do movimento pela independência do Brasil, em quê a Maçonaria atuou enquanto instituição5, o mesmo não ocorreu no movimento pela proclamação da república, nesse a Maçonaria agiu por intermédio de seus membros ilustres que eram próceres da república, ou através de grupos maçônicos e de suas Lojas. II – ESCORÇO HISTÓRICO. Faz-se necessário estabelecer que, o desejo pela república não era recente, pois, mutadis mutandis6, temos notícias da participação de maçons em movimentos que tinham como finalidade o estabelecimento da república, dos quais destacamos: A Inconfidência Mineira: importante movimento revolucionário que tinha objetivo de independência e proclamação da república. Iniciou-se em Vila Rica (atual cidade de Ouro Preto), que era sede da capitania de Minas Gerais, ocorreu no emblemático ano de 1789. O mote de tal levante foi os desmandos da coroa portuguesa, principalmente no que respeita aos elevados impostos, dentre os quais se destaca a derrama que era um elevado percentual cobrado do ouro e das pedras preciosas que eram retirados das minas mineiras. Percebe-se a participação de nossa ordem nesse movimento, dentre outros motivos, pela própria bandeira de Minas Gerais, formada pelo triângulo, que representa o delta luminoso, o olho que tudo vê. Ademais, ressalta-se aqui, a participação de maçons nesse movimento, dentre os quais, Francisco Antônio Lisboa, mais conhecido como ALEIJADINHO, maçom do grau 18, era autor de obras sacras, e que deixava perpassar símbolos maçônicos em suas obras, como os três anjinhos que formam um triângulo maçônico. Além de Joaquim José da Silva Xavier – Tiradentes, que foi o principal ator desse importante movimento. A Revolução Pernambucana(1817): aqui a intenção era implantar a República em Pernambuco, o seu principal líder era o maçom Domingos José Martins, nascido na cidade de Itapemirim, no Espírito Santo, contudo mudou-se para a cidade do Recife por intermédio do Ir.'. Hipólito José da Costa. Este é considerado o "Patriarca da Imprensa Brasileira". Esses foram os precursores do movimento da República, mas em confrontos com as forças governamentais da época foram derrotadados e seus membros condenados à morte pela Coroa Portuguesa. A Confederação do Equador(1824): movimento liderado por Frei Caneca, que era maçom, jornalista e propalava os ideais maçônicos. O Brasil já estava independente, e lutava pela unificação, devido aos movimentos revolucionários que eclodiam no país. Os remanescentes da revolução pernambucana de 1817, além de outras questões, insurgiram-se contra a condição de o Imperador poder nomear ao seu alvedrio o presidente da Província. A Revolução rompeu com o Império recém implantado, proclamou uma república com o nome de Confederação do Equador. Alastrou-se para as províncias vizinhas com o apoio das Lojas e dos Maçons da região. O movimento foi sufocado pelo exército imperial. Fato curioso é que, os revoltosos foram condenados e enforcados, porém, Frei Caneca, conhecido por seu carisma, não foi enforcado, pois não houve carrasco que se dispusesse a fazê-lo. A Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha(1835): foi uma guerra regional, também de caráter republicano. Esta revolução, que tinha o objetivo separatista, resultou na declaração de independência da província como estado republicano, dando origem à República Rio-Grandense, que se estendeu até o ano de 1845. Tal movimento foi chefiado pelo Ir.'. Bento Gonçalves da Silva que conseguiu implantar a República de Piratini ou República Farroupilha. Destaca-se aqui, o evento no qual, seu maior líder Bento Gonçalves, fora preso no Forte do Mar na Bahia, mas conseguiu fugir com a ajuda da Maçonaria baiana. Destaca-se, a colaboração ativa no movimento da Loja "UNIÃO E SEGREDO", que era dirigida pelo Cônego Joaquim Antônio das Mercês. Bento Gonçalves foi membro da Loja de Porto Alegre, "FILANTROPIA E LIBERDADE", onde foi iniciado. Este movimento revolucionário, também teve a participação de outros maçons, dentre eles os liberais italianos Tito Lívio de Zambeccari e Giuseppe Garibaldi, tendo este último se sobressaído nos combates entre os anos de 1838 e 1841 quando da tomada de Laguna, com a ajuda de Davi Canabarro. Garibaldi foi iniciado na Loja "ASILO DA VIRTUDE" no Rio Grande do Sul. II.1 – O GRITO DO IPIRANGA. POSSIBILIDADE DA REPÚBLICA. DISSIDÊNCIA DE GRUPOS MAÇÔNICOS. Cumpre destacar que, no momento da Declaração de Independência do Brasil no ano de 1822, com a participação ativa e decisiva da maçonaria, diga-se Grande Oriente do Brasil, nosso país destoou dos demais países da América Espanhola que proclamaram suas independências, tornando-se, em seguida, republicanos, ao contrário do Brasil que manteve a monarquia. Insta trazer a baila que, existia uma acendrada disputa entre dois grupos de maçons: o primeiro, denominado de MAÇONARIA AZUL, tinha à testa o Ir.'. José Bonifácio Andrade e Silva, Grão-Mestre do GOB à época, era Ministro plenipotenciário de Dom Pedro I, defendia a bandeira que após a independência do país deveria ser instalada uma monarquia constitucional. De outro lado, o grupo denominado de MAÇONARIA VERMELHA, tinha como líder o Ir.'. Gonçalves Ledo, 1º Grande Vigilante do GOB, desejava um avanço maior, ou seja, além de dissociar nosso país da coroa portuguesa, queria que fosse também proclamada a República. Sagrou-se vencedor o grupo dos Andradas, devido aos laços de união com a coroa. III – PRESSUPOSTOS QUE ENSEJARAM A POCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA. O período imediatamente anterior à Proclamação da República foi farto de acontecimentos que iriam mudar a estrutura político-social de nosso país, e como veremos nas linhas abaixo, a nossa sublime ordem participou ativamente deles. Os maçons brasileiros envolvidos no processo atuavam por intermédio de suas Lojas, na imprensa, ou mesmo nas tribunas, onde mostravam suas preocupações seja com a questão infame da escravatura, seja com a possibilidade de um terceiro reinado. Alie-se a isso, a questão religiosa que ajudou no movimento em defesa da república, pois gerou indisposição entre o alto clero e o imperador. Outra questão de relevo, como veremos, foi a insatisfação do exército que mesmo sagrando-se vencedor da Guerra do Paraguai, não teve o devido reconhecimento. III.1 – QUERELA RELIGIOSA. O embate religioso que foi travado entre o episcopado (corporação de bispos) e o governo, e por via oblíqua a Maçonaria, ajudou a precipitar a queda da monarquia. A força da Igreja naquela época era inquestionável, tanto que a Constituição de 1824 continha um dispositivo prevendo a união entre o trono e o altar, o que era fonte permanente de conflitos. Tais querelas surgiam porque, o poder Imperial poderia indicar os Sacerdotes para ocuparem cargos, além do que, as Bulas Papais (leis da Igreja) só poderiam ser aplicadas com a aquiescência do Imperador. O estopim para o desentendimento foi um discurso proferido pelo Ir.'. Antônio Alves Pereira Coruja, no ano de 1872, no Lavradio, no qual exaltava a participação da Maçonaria na edição da Lei do Vente Livre (Lei proposta pelo Conselho de Ministros, que tinha a frente o Visconde do Rio Branco, Grão-Mestre a época). Ato contínuo, o Padre Almeida Martins, Grande Orador interino do GOB, proferiu veemente discurso exaltando a Maçonaria, no dia seguinte esse discurso foi publicado nos jornais, o que ensejou duras críticas do Bispo do Rio de Janeiro, que inclusive suspendeu o Padre de suas funções. Em seguida, na cidade de Olinda, o Bispo Dom Vidal, capuchinho ferrenho, ficou indignado com as críticas feitas ao Bispo do Rio de Janeiro, e em represália determinou que os Padres maçons abandonassem a ordem imediatamente. Dois padres que não abandonaram a ordem maçônica foram afastados. Agravou-se a situação quando um Bispo do Pará resolveu fechar os templos dirigidos por padres maçons. Era uma declaração de guerra à maçonaria. O poder Imperial entrou em cena, e anulou as penas aplicadas aos Padres, sob o argumento de que a ordem do Vaticano que proibia padres maçons (Bula Syllabus, de 1864) não podia ser aplicada no Brasil, pois não foi ratificada pelo Governo Imperial. Mais uma vez vemos a força da maçonaria! Essa anulações impostas, não foram cumpridas pelos Bispos, o que levou o Visconde do Rio Branco, a determinar a prisão dos Bispos, que foram condenados a 4 anos de prisão, com trabalhos forçados, em 1874. O Papa Pio IX, que no começo não compactuou com a imposição dos Bispos contra os Padres, ficou indignado com as penas aplicadas. A querela, então ganhou veios internacionais. Com a utilização de muita diplomacia, após algum tempo, solucionou-e o problema, todavia o Gabinete de Rio Branco caiu, vindo a ser substituído por Duque de Caxias. III.2 – DESCONTENTAMENTO MILITAR. Outra influencia marcante da Maçonaria na Proclamação da República deveu-se ao oficialato da classe militar, que em sua maioria era composta por maçons ativos, que passaram a questionar as estruturas político-sociais do império. A partir da Guerra o Paraguai, em que o Brasil sagrou-se vencedor, o Exército passou a crescer em importância e número, revertendo a situação anterior em que o prestígio militar era negativo devido a participação dos militares em agitações populares. Destaca-se que as tropas eram formadas em boa parte por negros, e esses faziam com que os oficiais se ressentissem com a situação do Brasil, pois nosso país ainda era a única nação independente da América a manter a escravidão. Assim, disseminou-se no Exército uma posição antiescravista e republicana. Some-se a isso que, vários oficiais tornaram-se políticos, é o caso de Duque de Caxias e de Floriano Peixoto, que também eram maçons. Caxias era uma figura de grande prestígio no Exército mas também era um dos líderes da Partido Conservador e Floriano Peixoto apesar de ter conexões com a cúpula do Partido Liberal, falava como militar e não como cidadão, sua lealdade era ao Exército. A fundação da Academia Militar em 1859, ajudou a acirrar os ânimos entre a classe militar e o governo monárquico. Essa academia que tinha sede na Praia Vermelha, era um centro de estudos de matemática, filosofia e letras, tendo ficado conhecida como: "Tabernáculo da Ciência". Em seu interior disseminou-se os ideais positivistas de Augusto Comte7. Destaca-se, a participação de Benjamim Constant8 forte seguidor do Positivismo, que, sob inspiração dos princípio positivistas, pregava a ditadura republicana como o Governo de salvação no interesse do povo. III.3 – ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA. A estrutura de produção econômica de nosso país, à época, era exclusivamente fundada no trabalho escravo. Todavia, devido a pressão exercida pelo governo inglês, precursores da Revolução Industrial que tinha como base o trabalho livre, e ao acendrado debate de maçons que defendiam a abolição da escravatura quer no parlamento, quer em suas Lojas, foram editadas leis que progressivamente aboliram o trabalho escravo: Lei do Ventre Livre (28.09.1871, também conhecida como Lei Visconde do Rio Branco, pois foi quem apresentou o projeto à Câmara, que em realidade fora idealizado pelo maçom Pimenta Bueno), que determinava que a partir daquele momento aqueles que nascessem de escravos seriam livres, Lei do Sexagenário (28.09.1885) que permitia que os escravos que tivessem sessenta anos, ou mais, estariam livres, por fim, a Lei Áurea (13.05.1888) que extinguiu a escravidão. Esses fatores foram preponderantes para o enfraquecimento do Império, contribuindo decisivamente para acelerar o processo que culminou com a Proclamação da República. Com a abolição, o Poder Econômico, representado principalmente pelos latifundiários, grandes fazendeiros, se sentia ferido de morte. Poucos acreditavam ser possível produzir pagando salário. Para eles a abolição havia tirado do país a condição de produzir. Não sabiam eles que a nova estrutura é que daria condições ao país de dar o grande salto para a industrialização e para o progresso. Destaca-se, nesse passo, o grande empreendedor e defensor da abolição da escravatura, como fator de desenvolvimento para o Brasil, o maçom, Barão de Mauá9. Nesta esteira, além da participação propriamente dos ministros e parlamentares maçons que eram defensores da abolição, muitas Lojas10 engajaram-se em defesa da extinção dos escravos. Citamos que Lojas Maçônicas até usavam os fundos destinados à beneficência para comprar escravos a fim de dar-lhes a alforria ou seja a liberdade. Mas não é só, também realizavam bailes e eventos, com vistas a arrecadar fundos para também comprar alforrias. Vários escravos se tornaram homens livres graças a essa iniciativa dos Maçons e da Maçonaria. III.4 – DA SUCESSÃO IMPERIAL: CONDE D’EU OU PRINCESA ISABEL? Dom Pedro II, já vinha bastante desgastado não só pelo diabetes que o acometia, mas também pelos três fatores citados algures (Descontentamento Militar, querela Religiosa e Abolição), portanto, já se vislumbrava que o Imperador não chegaria ao cabo de seu reinado. Some-se a isso, que a propaganda republicana vinha ganhando força, cita-se aqui a convenção de ITU e o Partido Republicano, e também a participação da imprensa e a existência de comícios buscando a adesão popular, que diga-se ab ovo foi inexistente. Por outro turno, tanto os maçons quanto as elites latifundiárias não queriam que nem a Princesa Isabel e nem o Conde D'Eu (esposo da princesa) subissem ao trono, primeiro porque a princesa, com a edição da Lei Áurea, ganhou o ódio dos latifundiários e segundo, porque o Conde D'Eu, que era estrangeiro, de sexualidade controvertida, e era acusado de ser um sujeito sem princípios. Assim, dificilmente haveria um terceiro reinado, portanto estava irremediavelmente lançada as bases para a república. IV. SEJA FEITA A REPÚBLICA! O último Gabinete do Império, que era liderado pelo liberal Visconde do Ouro Preto, já no ano 1889, foi estabelecido para implementar as reformas tanto ansiadas pelos setores oposicionistas, como forma de tentar salvar a monarquia, mas não teve sucesso. Existiam muitas dificuldade para aprovar as reformas, o próprio sistema ruíra, o que ensejou as articulações entre republicanos e militares. O já citado Clube Militar, que tinha a testa Benjamim Constant iniciou as movimentações com vistas a evitar um terceiro reinado, isso já no ano de 1889. Em meados do mês de novembro, numa reunião na casa do Ir.'. Benjamim Constant, com a presença dos maçons Rui Barbosa, Aristides Lobo e Quintino Bocaiuva, entre outros, conseguiram a adesão do Ir.'. Marechal Deodoro da Fonseca. Estava articulado um golpe para o dia 20 de novembro. Desta feita, percebe-se que o levante que levou à implantação da República foi um movimento preparado pelas elites militares, Republicanas e Maçônicas e não teve o mínimo respaldo popular. Todavia, em decorrência de boatos e especulações de que o General Deodoro seria preso e batalhões seriam transferidos para as províncias, já na madrugada do dia 15 iniciou-se a movimentação nos bastidores das tropas. Ato contínuo, Deodoro à frente de um batalhão marchou de sua casa, no Campo de Santana (hoje praça da República) para o Ministério da Guerra, que ficava próximo, depondo o Gabinete de Ouro Preto, que não ofereceu resistência. Foram presos: Ouro Preto e Cândido de Oliveira, Ministro da Justiça; os demais membros do Gabinete foram dispensados. Os revoltosos conseguiram a adesão das tropas governistas. Deodoro que estava doente retirou-se para sua residência e os militares retornaram para os quartéis, mas alguns republicanos, entre os quais José do Patrocínio, preocupados com a indefinição do movimento, dirigiram-se à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro e proclamaram a República. A maioria do Exército não estava ciente da trama, pois se encontrava na mesma situação do povo, era estranho ao acontecimento, soube apenas do fato consumado sem saber o que estava acontecendo. A República do Brasil foi estabelecida sem a participação popular, o povo nem sabia bem o que se passava, o que fez com que Aristides Lobo, Ministro do Interior do primeiro Governo Republicano do Marechal Deodoro da Fonseca considerasse: "que o povo assistiu bestializado" aos acontecimentos e em 18 de novembro afirmasse: que o envolvimento civil foi quase nulo e que o povo julgou tratar-se de uma "parada militar" a ida dos militares ao Ministério da Guerra. A maioria dos conspiradores não pensava a República como coisa pública, em seu sentido etimológico, eles tinham receio de toda e qualquer participação popular. O lema positivista colocado na Bandeira Brasileira, em 19 de novembro de 1889, caracterizava a permanência de uma sociedade excludente e hierarquizada. Mudou a forma de Governo mas permaneceram os princípios. Proclamada a República em 15 de novembro de 1889 pelo Marechal Deodoro, o mesmo se autonomeia Chefe do Governo Provisório e nomeia um Ministério totalmente Maçônico e filiado ao Grande Oriente do Brasil. No dia 19 de dezembro, Deodoro é nomeado Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil. Instalado o governo provisório, houve uma divisão em duas correntes republicanas: uma de inspiração liberal (que prevaleceu) e outra de inspiração Contiana (positivista), que preconizava uma ditadura sociocrática. No primeiro decreto firmado pelo Governo Provisório estava escrito: "Fica proclamada provisoriamente e decretada como forma de governo na Nação brasileira a República Federativa". Em outro dispositivo previa-se a realização de um plebiscito em que o povo deveria opinar sobre a mudança de Governo. Este plebiscito foi realizado em 7 de setembro de 1993, desta forma, 105 anos depois da República ser proclamada, o povo pode se pronunciar dizendo se preferia o governo monárquico ou o republicano. Em 15 de novembro de 1890, instala-se a Assembleia Constituinte que promulga a nova Constituição em 24 de fevereiro de 1891 implantando o Presidencialismo e o Federalismo. Em 26 de fevereiro, Deodoro é eleito para a Presidência da República, para Vice-Presidente os positivistas conseguem eleger o Marechal Floriano Peixoto derrotando o Almirante Wandenkolk, indicado pela coalizão liberal. As crises sucedem-se e em 23 de novembro de 1891, o Marechal Deodoro renuncia ao cargo para evitar uma guerra civil, também renuncia em 18 de dezembro ao Grão Mestrado do Grande Oriente do Brasil. O poder passou, para as mãos do vice-presidente Floriano Peixoto, conhecido como o “Marechal de Ferro”, também Maçom que passaria à História como o Consolidador da República. V – CONCLUSÃO. A guisa de encerramento, vimos no decorrer deste breve estudo que a Proclamação da República foi consequência da enorme crise pela qual passava o Império Brasileiro, provocada pela evolução da sociedade brasileira a partir de 1870 com o fim da guerra do Paraguai. As questões religiosa, Militar e a libertação dos escravos foram as causas imediatas da queda do Império e a consequente Proclamação da República, até porque o Império se baseava na Escravidão, na Igreja e no Exército. Verificou-se também que, nossa Sublime Ordem, não fica inerte ante as necessidades de mudanças, e rompimentos com situações vigentes que engendram injustiças, como foi o caso da extinção da escravatura e o próprio fim da Monarquia. Todavia, hodiernamente as lutas porque a Maçonaria deve imiscuir-se são outras, entre as quais destacamos as mais importantes: combate à corrupção e as improbidades administrativas que trazem consectários gravosos para nossa sociedade; luta contra as drogas, um dos maiores males da humanidade; valorização da educação, como forma de resgate social; elevação da família como célula mais importante para sociedade. Por fim, destacamos que a Maçonaria não pode viver eternamente dos louros do passado, entrementes que as realizações históricas alcançadas devem ser exaltadas, contudo, devemos preocuparmos-nos com o presente e o futuro, a fim de que nossa Instituição, por força e intuição passada pelo G.'. A.'.D.'.U.'., cumpra seu mister que é tornar o mundo melhor e os homens mais felizes! VI – RESENHA BIBLIOGRÁFICA • A PARTICIPAÇÃO DA MAÇONARIA NA INDEPENDÊNCIA E PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico:. • AS DUAS FACES DA REPÚBLICA: PARTICIPAÇÃO DA MAÇONARIA NA FORMAÇÃO DA REPÚBLICA BRASILEIRA, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico: . • A MAÇONARIA E A HISTÓRIA DO BRASIL, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico: . • A MAÇONARIA E A HISTÓRIA DO BRASIL, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico: . • A MAÇONARIA E A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico: . • CASTELLANI, José; CARVALHO, William Almeida. História do Grande Oriente do Brasil: A Maçonaria na História do Brasil. São Paulo: Madras, 2009. • CASTELLANI, José. José Bonifácio: um homem além de seu tempo. São Paulo: A Gazeta Maçônica, 1988. • ______________. Os Maçons e a Abolição da Escravatura. Londrina: Ed. Maçônica “A Trolha”, 1998. • ______________. A Maçonaria na Década da Abolição e da República. Londrina: “A Trolha”, 2001. • COSTA, Frederico Guilherme. A Maçonaria e a República. Londrina: Ed. Maçônica “ Trolha”, 2003. • ________________________. A Trolha na Universidade. Londrina: Ed. Maçônica “ Trolha”, 1998. • LOJA DE PESQUISAS MAÇÔNICAS “BRASIL”. Cadernos de Pesquisas Maçônicas. Londrina: Ed. Maçônica “Trolha”, 1996. • MAÇONARIA E REPÚBLICA, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico: . • NOTÍCIAS DO GOEG: A PARTICIPAÇÃO DA MAÇONARIA NA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO BRASIL, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico: . • O SEGUNDO IMPÉRIO - D. PEDRO II, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico: . • OS BASTIDORES DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO BRASIL, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico: . • PARTICIPAÇÃO DA MAÇONARIA NA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO BRASIL, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico: . • A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA E A MAÇONARIA, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico: . • PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA, capturado em 15.11.2011, disponível no endereço eletrônico: . • SENADO FEDERAL DO BRASIL. O Senado e a Maçonaria: uma coletânea de discursos. Brasília: Senado federal, Gabinete dos Senadores Efraim Moraes e Mozarildo Cavalcanti, 2008.

sábado, 9 de novembro de 2013

A MAÇONARIA, ESSÊNCIA FILOSÓFICA DO PENSAMENTO HUMANO...

A Maçonaria buscou sua essência filosófica nas mais diversas escolas do pensamento humano. É possível descobri-la, inclusive, entre os filósofos gregos. Sua identificação fica mais clara ainda, quase que em sua totalidade, junto às escolas filosóficas modernas: Renascimento, Racionalismo e Iluminismo, cujo grande objetivo era a liberação da consciência humana, pois, além da prática do livre pensamento, a filosofia moderna traz impregnada em sua estrutura um programa que vai desde a valorização da vida natural, passando pela ciência e investigação científica, até o reconhecimento dos valores e direitos individuais. A Maçonaria é uma instituição universal, fundamentalmente filosófica, trabalhando pelo advento da justiça, da solidariedade e da paz entre os homens. A tarefa essencial da filosofia maçônica é irradiar a luz dos seus princípios e de seus hábitos para melhorar a condição humana. É tradicionalista e às vezes progressista; isto parece um paradoxo, mas não o é. Tradição é conservar o melhor do passado para utilizá-lo em compreender mais o presente e preparar um porvir melhor para o futuro, separando o valioso do que é sem valor nas doutrinas e sistemas que a História conheceu. A filosofia maçônica deseja que o ser e a existência do homem girem em torno de três valores superiores que a História destacou como as maiores conquistas da humanidade: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Ela, entretanto, mais que nenhuma outra, pondera que, dentre as três, a mais especial é a Fraternidade, pela transcendência e os benefícios que implica e abarca, tanto na esfera do individual como na do coletivo. A filosofia maçônica quer defender o homem da ignorância e da incultura; dos temores e das necessidades; da exploração e das injustiças; do fanatismo do dogma e dos tabus, sobretudo da opressão e das tiranias interiores e exteriores de qualquer classe. Sócrates (469-399 a. C.), um dos maiores filósofos da humanidade, ao examinar o que significa tornar-se humano, tinha por objetivo não mais a ciência ou a natureza, mas o próprio homem. Ele ensinou que pecar é ignorar, e que a purificação da alma passa necessariamente pelo autoconhecimento do homem. Ele introduziu o homem na filosofia e estabeleceu que o melhor instrumento de que este homem dispõe para realizar a missão a que foi destinado é o conhecimento de si mesmo. E este tem sido o objetivo pelo qual, primordialmente, a Maçonaria vem propugnando, ou seja, o CONHECE-TE A TI MESMO. Artigo publicado na edição nº 555 (Fev/2011) do Jornal Centro Sul de Irati/PR

O Espírito da Instituição Maçônica...

Conheça alguns Maçons ilustres e sobretudo entenda o Espírito de nossa Instituição... Toda a instituição que recebe os seus adeptos por meio do processo iniciático foge do comum, pois, existindo uma "seleção", a Maçonaria ocupa-se dos problemas superiores, fugindo ao vulgar. O Maçom, como elemento componente da Instituição, por sua vez, deve comprovar pertencer a uma entidade selectiva e destacar-se do mundo profano. Ele foi "selecionado" mercê da vontade do Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, entre milhares de pessoas; é um "destaque" e por esse motivo ele faz jus às benesses que a Maçonaria dispensa. O maçon deve, a todo o momento, ser grato por ter sido "chamado" e demonstrar essa gratidão pelo seu viver. Lembrando grandes vultos do passado não nos cabe atribuir maior ou menor importância a cada indivíduo, mas à história. Por ser impossível falar sobre todos os Irmãos, mencionaremos aqueles que, por seus méritos, foram distinguidos pela maioria dos que os conheceram. Muitos homens ilustres, de diferentes classes sociais, com relevantes serviços prestados à humanidade, têm seus nomes vinculados à Ordem. Ela teve entre seus integrantes os maiores nomes em todas as áreas do conhecimento humano. Políticos, governantes, artistas, empresários, líderes religiosos, intelectuais, militares, educadores e benfeitores da humanidade são contados entre os Maçons. Os EUA, a Inglaterra, Brasil, Canadá, Alemanha, Austrália e França estão entre as nações com maior número de Maçons e Lojas Maçônicas. Basta lembrarmos alguns, citando Voltaire, Abraham Lincoln, Rui Barbosa, William Mc Kinley, Martin Luther King e Sir Winston Churchill. Algumas citações desses Irmãos que marcaram a história "Faço-me maçon porque encontrei nessa Ordem Sagrada os ideais de dignidade humana...! "Eu não acredito em Deus, aquele que os homens fizeram, mas acredito em Deus, Aquele que fez os homens! (Voltaire). "A Maçonaria é uma Ordem filantrópica, de natureza social, que agasalha no seu seio as almas idealistas, que não têm prioridade religiosa, mas alberga todas as Religiões" (Abraham Lincoln). "Onde florescem os ensinamentos maçónicos não vicejam a ditadura, a soberania dos poderes arbitrários, nem a dominação daqueles conquistadores que denigrem a condição da criatura humana" (Rui Barbosa). "O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons" (Martin Luther King). "Nada tenho a oferecer, senão sangue, labor, lágrimas e suor". Primeiro discurso a 13 de Maio de 1940, na Câmara dos Comuns do Irmão Winston Churchill, que foi iniciado na Maçonaria, na Loja "United Studholme" em 24 de Maio de 1901. O espírito da nossa Instituição Momento 1 "Depois da Batalha de Opequau, fui com o médico do Regimento Ohio a um campo de prisioneiros, onde havia cerca de 5.000 prisioneiros confederados. Quase imediatamente depois de passarmos pela guarda, notei que o médico e vários prisioneiros davam cordiais apertos de mão. Também notei que o médico tirava do bolso notas de dinheiro e distribuía-as entre os presos. Fiquei assombrado e não sabia o que significava. No regresso do acampamento perguntei-lhe: - Você conhecia estes homens, ou já os vira antes? - Não, retrucou o médico. Nunca os vi antes. - Então, perguntei eu, como os conhece e por que lhes deu dinheiro? - Nós somos Maçons e temos meios especiais para nos reconhecer - disse-me ele. Porém, insisti: - Você deu-lhes dinheiro, praticamente tudo o que tinha consigo. Espera você, algum dia, cobrar esse dinheiro? - Bem - disse o médico - se eles alguma vez estivem em condições de me pagarem, eles o farão, porém isto é-me indiferente. São Irmãos Maçons na desgraça e eu simplesmente estou a cumprir o meu dever. Então, disse para mim mesmo - Se isto é Maçonaria, então procurarei tomar parte nela.(William Mc Kinley - Presidente dos Estados Unidos da América do Norte). Momento 2 O carro de um vendedor que viajava pelo interior quebrou e conversando com um fazendeiro de um campo próximo eles descobrem que são "Irmãos". O vendedor está preocupado porque tem um compromisso importante na cidade local. - Não se preocupe, diz o fazendeiro, você pode usar meu carro. Vou chamar um amigo e mandar consertar o carro enquanto você vai ao seu compromisso. E lá foi o vendedor e umas duas horas mais tarde voltou, mas infelizmente o carro precisava de uma peça que chegará somente no dia seguinte. -Sem problemas, diz o fazendeiro, use meu telefone e reprograme se primeiro compromisso de amanhã, fique conosco hoje e providenciaremos para que seu carro esteja pronto logo cedo. A esposa do fazendeiro preparou um jantar maravilhoso e eles tomaram um pouco de malte puro em uma noite agradável. O vendedor dormiu profundamente e quando acordou, lá estava seu carro, consertado e pronto para seguir viajem. Após um excelente café matinal, o vendedor agradeceu a ambos pela hospitalidade. Quando caminhavam para o carro, o vendedor disse ao fazendeiro: - meu irmão, muito obrigado, mas preciso saber, se você me ajudou desta forma porque sou maçom? - Não, foi a resposta - eu ajudei-o porque sou maçom!. Momento 3 Um maçom residente no interior, homem honesto e muito trabalhador, apresentou-se ao juiz para explicar a razão de não querer fazer parte de um júri. - Meritíssimo, minha Loja Maçônica tem marcado sessão para o mesmo dia. Para poder ser jurado, tenho que desrespeitar o meu juramento de frequência e não posso dar-me a este luxo. - Senhor, e se todos fossem como o senhor? - perguntou o juiz. - Meritíssimo, se todos fossem como eu, o senhor não precisaria de um júri... Momento 4 Se nos países totalitários a Maçonaria não se desenvolve, porque está então a funcionar em Cuba? Para responder à pergunta tão sensata, cedo a palavra ao próprio ditador, Fidel Castro, na sua célebre entrevista a Frei Betto: ..."batendo em retirada, eu e mais dois companheiros, encontramos uma pequena cabana onde passamos a noite. Antes de despertarmos, uma patrulha de soldados entra na cabana e nos acorda com os fuzis apontados contra nós. Os soldados estavam excitados, nos amarraram e queriam matar-nos. Pediram nossa identidade e demos outros nomes. Começamos a discutir com eles; a gente se dava por mortos. Durante a discussão com eles, havia um tenente negro, chamado Sarria, que não era assassino e tinha autoridade como comandante da patrulha. Durante a discussão com eles, o tenente interveio e disse: "Não disparem". Impôs-se aos soldados, enquanto repetia em voz baixa: "Não disparem, as ideias não se matam" "Três vezes não se matam". Por acaso, um dos companheiros, Oscar Alcalde, era Maçom. Identifica-se discretamente ao tenente. Isso surte efeito, pois havia muitos militares Maçons. Impressionara-me a atitude daquele tenente, e, após caminharmos um pouco, chamei-o e disse: "Vi como senhor procedeu e não quero enganá-lo, eu sou Fidel Castro".. Ele me adverte: "Não diga nada a ninguém". Antes do nosso triunfo, denunciaram-no como responsável pela nossa sobrevivência. Culpavam-no de não nos ter assassinado... Naquele momento o tenente foi afastado do Exército. Era um homem honrado, com acentuada predisposição para a justiça. O curioso é que, com reflexo de seu pensamento, nos momentos mais críticos o ouço repetir, em voz baixa, as instruções aos seus comandados para que não disparem, "as ideias não se matam". A Maçonaria é a melhor oportunidade de melhorar o mundo. Nenhum Maçon é tão pequeno que não possa fazer algo grande pela Humanidade. Valdemar Sansão - M.'.M.'.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O TRABALHO MAÇÔNICO E A ESPIRITUALIDADE...

Uma Loja maçônica, que pode simbolizar o mundo, o universo em que vivemos, é uma plataforma que permite o crescimento do maçom, o seu desenvolvimento espiritual assim como a sua elevação ética e moral. Uma plataforma, que quando utilizada de forma correta, de coração aberto e em verdade, permite ao indivíduo aperfeiçoar-se e crescer, em suma, tornar-se um homem melhor e mais apto, livremente responsável, que, partilhando um desígnio com os Irmãos, se aperfeiçoa e aperfeiçoa o meio onde se insere a sua dimensão. O trabalho maçônico, para mim, claro está, tem como objetivo tornar o mundo melhor. Isto parece um objetivo vago e inalcançável, que tudo permite dizer e nada diz. Porém, é minha convicção que é mesmo isto que fazemos todos os dias. Uma L.’. Maçônica tem por obrigação ser uma escola dos melhores de uma comunidade, mais capazes e mais aptos a fazer esse mesmo trabalho, o de potenciar o cumprimento dos homens, desbastando a pedra bruta, aperfeiçoando-se e realizando-se na sua plenitude, contribuindo então para deixar o Mundo um lugar melhor do que era quando aqui chegamos. Um primado da Razão e da Filosofia, da bondade Moral e Justeza das ações. Com os pés no chão, com a certeza de que não resolveremos os problemas todos, nem mesmo muitos ou alguns, apenas aqueles que conseguirmos depois de a isso nos dispor. Esse trabalho faz-se mudando os homens, que através do crescimento espiritual e cultural, vão, a pouco e pouco, alterando a sua forma de interagir com a comunidade onde se inserem. Crescendo e aperfeiçoando-se, o maçom muda para melhor, eu creio, mesmo que inconscientemente, o mundo que o rodeia. Do somatório puro e simples do aperfeiçoamento dos maçons, observamos uma transformação na sociedade, quer tenhamos ou não noção disso. Um processo que se apresenta como profundamente individual assume então a sua generosidade. O trabalho do maçom é aperfeiçoar-se em L.’.. E como é que isso acontece? Esse é o trabalho da L.’., há luz dos códigos de elevação moral e espiritual, onde o Ritual assume um papel preponderante, tornar homens bons melhores, dispostos a preparar o futuro e construir o presente à luz dos ideais maçônicos. Para isso deve ter a L.’. um critério rigoroso de escolha dos seus candidatos, sob pena de se transformar num clube de amigos que transferimos do mundo profano, desprovido de sentido. Os candidatos devem ser convidados à luz das características dos seus talentos, para que possa ser uma valia a mais para o trabalho que está na gênese da Maçonaria e é a sua razão de existir. E porque talentos por si não valem nada, é aqui que os potenciamos e aprendemos que o que conta é o que com eles realizamos à luz de um código de moralidade e de valores que escolhemos livremente e em consciência para nós. Estes homens que descrevo têm de ser capazes de conceber o Divino; o Indizível; de sonhar; de terem visão; de terem a Força, a Sabedoria e o desprendimento de se entregar a projetos aparentemente impossíveis, utópicos e belos; têm de conceber a fraternidade leal, fruto da partilha do Desígnio. Porque é disso que falamos, de uma escola de Cavaleiros, que foram Cavaleiros da Terra, depois Cavaleiros do Mar e hoje Cavaleiros do Mundo. Essa dimensão espiritual é a sua característica mais importante. Que passo a explicar como se me apresenta hoje. Entendo que a espiritualidade é uma dimensão indissociável da condição humana, mais do que o bem exclusivo de Igrejas, Religiões ou Escolas de pensamento. Na prática, fala-se de Espiritualidade para a parte da vida psíquica, fruto da inteligência humana, que nos parece mais elevada: aquela que nos confronta com Deus ou com o absoluto, com o infinito ou com o todo, com o sentido da vida ou a falta dele, com o tempo ou com a eternidade, com a oração ou o mistério. Temos a felicidade de ter na nossa Ordem homens de religiões reveladas diferentes, de escolas de pensamento diferentes, sem opção por nenhuma das religiões reveladas, sem se reconhecerem em nenhuma escola de pensamento, homens de profundo esoterismo e outros que nem por isso. Não temos, porém nenhum despojado da assunção da sua espiritualidade. O respeito por essas opções é a nossa riqueza, a base para a geração da harmonia. Isto exige uma reflexão profunda do que é a tolerância maçônica, sempre á Luz de um ideal maior que todas as religiões e escolas de pensamento. Porque a Maçonaria está num patamar diferente. Não se preocupa com a forma como cada um vive a sua espiritualidade nem ambiciona ter voto nessa matéria. A preocupação da Maçonaria é o Individuo e depois o Mundo, onde vivem os homens hoje e os de amanhã, a sua preocupação última é a vida dos homens na Terra, e não oferecer salvação ou condicionar a sua existência à salvação eterna. Para isso existem outras sedes, cujo sucesso e eficácia jamais se poderá questionar ou até medir. A espiritualidade que aqui tratamos remete-se para a relação do homem com o divino em vida, aqui na Terra e como essa relação pode condicionar as suas ações com vista ao cumprimento de um ideal ou Desígnio. E como os seus obreiros são homens plenos em todas as suas dimensões, a Maçonaria não se demite de aprofundar a relação dos homens com o divino, lutando para que isso os una e jamais os divida, porque a Maçonaria quer libertar os homens das grilhetas profanas e levar esses mesmos homens a realizar a sua dimensão espiritual em total liberdade e no pleno respeito pelas crenças alheias. O que nos une será o sentir o Universo, o Todo, que nos contem e nos transporta, uma presença universal…Será possível uma espiritualidade universal? É minha convicção profunda que sim, mais do que uma espiritualidade clerical e redutora ou do que uma forma institucional que toma nas sociedades democráticas a relação política entre o cidadão e o Estado, e entre os próprios cidadãos desprovidos de uma espiritualidade! Uma espiritualidade universal… Será uma “espiritualidade da imanência, mais do que da transcendência, da meditação mais do que da oração, da unidade mais do que do encontro, da lealdade mais do que da fé, do amor mais do que da esperança, e que será igualmente motivadora de uma mística, ou seja, de uma experiência da eternidade, da plenitude, da simplicidade da unidade e do silêncio. É a essa espiritualidade universal que ouso chamar Espiritualidade Maçônica. Mas antes de procurar definir, poderei por ventura afirmar que é apenas no trabalho maçônico que ela poderá ser verdadeiramente aprofundada. Não um conceito que se aprenda nos livros, tem de se sentir e de se viver, fruto de um percurso iniciático. No entanto, a Maçonaria não revela nenhuma verdade superior nem dá respostas cabais às questões que atormentam a nossa dimensão espiritual. Pelo contrário, convida os Ilr.’. a procurarem saber quem são, conhecerem-se a si mesmos, com o intuito de se cumprirem, o que é profundamente diferente, colocando-os na via dessa procura e dessa realização, situando-se aqui o verdadeiro significado da iniciação, o primeiro passo de um caminho a percorrer e trabalho para fazer na construção do nosso templo interior. Assim, a tolerância apresenta-se como uma das principais virtudes da Maçonaria e do maçom. Trata-se de uma atitude interior que repousa no respeito pela individualidade espiritual do candidato, pela liberdade de pensamento e pelo percurso intelectual e espiritual que cada maçom depois de iniciado escolhe para si. É neste pressuposto que assenta a minha afirmação de que a Espiritualidade Maçônica é uma Espiritualidade Livre: ao sugerir um caminho individual para a relação com o divino, constrói também um percurso libertador, é um processo livre. Para isso ser possível, precisa no seu seio de homens diferentes dos demais. O nosso trabalho hoje ao escolher esses homens, é com a convicção plena de que hoje se podem encontrar em qualquer proveniência, podem ter estado ao nosso lado toda a vida, serem os nossos amigos de infância, familiares ou colegas de profissão, como podem estar de um e-mail manhoso sem rosto. Temos é de estar certos de que estão á altura do desafio, é de critério que vos falo, não de forma de ingresso nem de sede de relação. Porque é lógico que apenas podemos indicar homens que conhecemos minimamente e por isso têm de vir das nossas relações pessoais, todos temos, porém pessoas de quem gostamos muito que sabemos não terem os requisitos mínimos para poderem ser iniciados, por mais que de disso gostássemos, fosse porque razão fosse. O critério é tudo. É tudo porque a eles vão ser exigidos sacrifícios, de tempo para dedicar ao trabalho, para comparecer às sessões, para se despojarem de títulos e posições, para se disporem a aprender, a aceitar criticas quando para isso não estão preparados e cuja propriedade da origem questionam, a aguentar ouvir aquilo que não entendem sem julgar, a sentir que fazem parte de algo maior e viver com essa avassaladora responsabilidade sem ser esmagado, quando finalmente se torna clara a missão a que se propuseram. Por mais capaz que qualquer um seja, tem um percurso a fazer, para poder identificar ferramentas, e então dedicar-se ao trabalho. Uma L.’. Maçônica é uma elite dentro de uma comunidade, coisa que facilmente assumimos sem complexos nem soberbas. Entre nós deverão estar os mais capazes nas suas áreas de intervenção, que podem ser profissionais ou não, têm apenas de ser úteis ao projeto, estar dispostos a aprender e a ensinar partilhando. Ser maçom é uma vivência, uma forma de estar na vida e perante a vida, onde a Honra, a Ética Moral, o sentido de missão, o espírito cavalheiresco das suas ações, fruto da Responsabilidade de se ser e sentir Diferente assumem um aspecto fundamental. Não somos com certeza homens plenos de virtudes, todos temos as nossas arestas para desbastar. E este é o local para fazê-lo, a L.’., depois de responder ao chamamento e livremente bater á porta do Templo, para servir o Desígnio. Com a orientação de todos os obreiros, tornar ferramentas capazes em ferramentas melhores. Porque somos ferramentas de trabalho, somos os que cumprem e efetivam o Desígnio, como outros o fizeram antes de nós. Os desígnios dignos desse nome sempre tiveram um cunho marcadamente iniciático, porque não se prendem com objetivo de pedra, betão ou madeira, mas com a realização dos sonhos, sendo perpetuados no tempo indefinidos enquanto matéria, mas muito claros quando conceptualizados por homens que se dispuseram a um processo de transformação e crescimento como o nosso, essa idéia indizível transmite-se pela iniciação, pelos rituais, pela via iniciática. E para isso, a dimensão espiritual do homem tem de ser a sua consciência maior, aquilo que lhe rege as ações e circunscreve as paixões e os sonhos à luz das suas capacidades e talentos. E neste trabalho não há espaço para paternalismos com os menos capazes e aptos, para soberbas profanas ou para alimentar egos com comendas. Não se faz parte da Maçonaria, não se pertence à Maçonaria, é-se maçom. Da sua relação com a L.’. E da sua condição de maçom só o individuo pode ser responsável, se não se sente capaz ou a tarefa assusta, mais vale arrepiar caminho. Sem jamais hipotecar a solidariedade inerente á fraternidade leal, todos temos momentos piores e felizes e para isso aqui estamos todos e nessa altura dizemos presente. Não estamos é aqui para tomar conta de ninguém, proporcionar benefícios ou oferecer a salvação estamos aqui para trabalhar, o nosso tempo é curto e o trabalho imenso. Para que nos cumpramos à luz do que aqui nos trouxe, temos de ser objetivos, sob pena de se esvaziar o sentido da Ordem Maçônica e o trabalho ficar por fazer comprometendo o desígnio. Reconhecendo os méritos e as virtudes dos nossos IIr.’., não potenciando e exacerbando os seus defeitos, que desses não precisamos, usando o fole com cautela na forja para que a ferramenta que lá se aperfeiçoa não enfraqueça por falta de atenção ou derreta por excesso dela. Desbastando a pedra bruta, com a lealdade que a critica exige, com a fraternidade que o sacrifício cultiva, com a generosidade a que partilhar o desígnio não é alheia, com o reconhecimento da força e inteligência para fazê-lo cumprir. Dessa partilha nasce a riqueza da Irmandade, do respeito pelo trabalho e pela forma como é executado. Não sendo santos nem isentos de virtude, temos todos a consciência do desígnio. Assumamos o objetivo que aqui nos trouxe e não deixemos que nada perturbe a caminhada para a realização desse mesmo Desígnio, que não assume forma material, mas é apenas uma idéia que todos partilhamos… Uma idéia de Homem e de Mundo. autor Ir.'. José Eduardo Souza M.´.M.´. A.´.R.´.L.´S.´. Alengarbe - G:.L:.L:.P:. Or:. de Albufeira - Portugal. fonte: site da GLRP- Grande Loja Legal de Portugal

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

SÃO JOÃO, NOSSO PADROEIRO...

Graças a isso, muitas corporações, embora houvesse um santo protetor para cada um desses grupos profissionais, acabaram adotando os dois São João como padroeiros, fazendo chegar esse hábito à moderna Maçonaria... Além de girar em torno de seu eixo, a Terra desloca-se no espaço, com um movimento de translação em torno do Sol, quando descreve uma elipse, de acordo com as leis de Kepler. Para o observador situado na Terra, todavia, é como se esta fosse fixa e o Sol se movesse em torno dela, seguindo um caminho, que, como já foi visto, é chamado de eclíptica. Em sua marcha em torno do Sol, a Terra, descrevendo uma elipse, ficará mais próxima, ou mais afastada do astro da luz. O ponto mais próximo (147 milhões de quilômetros) é o periélio; o mais afastado (152 milhões de quilômetros) é o afélio. Se a Terra, no movimento de translação, girasse sobre um eixo vertical em relação ao plano da órbita, as suas diferentes regiões receberiam iluminação sempre sob o mesmo ângulo e a temperatura seria sempre constante, em cada uma delas. Mas, como o eixo é inclinado, em relação à órbita, essa inclinação faz com que os raios solares incidam sobre a Terra segundo um ângulo diferente, a cada dia que passa. E, assim, vão se sucedendo as estações: verão, outono, inverno e primavera. Como os planos do equador terrestre e da eclíptica não coincidem, tendo uma inclinação, um em relação ao outro, de 23 graus e 27 minutos, eles se cortam ao longo de uma linha, que toca a eclíptica em dois pontos: são os equinócios. O Sol, em sua órbita aparente, cruza esses pontos, ao passar de um hemisfério celeste para outro; a passagem de Sul a Norte, marca o início da primavera no hemisfério Norte e do outono no hemisfério Sul; a passagem do Norte para o Sul, marca o início do outono no hemisfério Norte e da primavera no hemisfério Sul. Esses são os equinócios de primavera e de outono. Por outro lado, nos momentos em que o Sol atinge sua maior distância angular do equador terrestre, ou seja, quando é máximo o valor de sua declinação, ocorrem os solstícios. Os dois solstícios ocorrem a 21 de junho e a 21 de dezembro; a primeira data marca a passagem do Sol pelo primeiro ponto do trópico de Câncer, enquanto que a segunda é a passagem do Sol pelo primeiro ponto do trópico de Capricórnio. No primeiro caso, o Sol está em afélio e é solstício de verão no hemisfério Norte e de inverno no hemisfério Sul; no segundo, o Sol está em periélio e é solstício de inverno no hemisfério Norte e de verão no hemisfério Sul. Portanto, o solstício de verão no hemisfério Norte e de inverno no hemisfério Sul, ocorre quando o Sol está em sua posição mais boreal (Norte), enquanto que o solstício de verão no hemisfério Sul e de inverno no hemisfério Norte, ocorre quando o Sol está em sua posição mais austral (Sul). Por herança recebida dos membros das organizações de ofício, que, tradicionalmente, costumavam comemorar os solstícios, essa prática chegou à Maçonaria moderna, mas já temperada pela influência da Igreja sobre as corporações operativas. Como as datas dos solstícios são 21 de junho e 21 de dezembro, muito próximas das datas comemorativas de São João Batista (24 de junho) e de São João Evangelista (27 de dezembro) elas acabaram por se confundir com estas, entre os operativos, chegando à atualidade. Hoje, a posse dos Grão-Mestres das Obediências e dos Veneráveis Mestres das Lojas realiza-se a 24 de junho, ou em data bem próxima; e não se pode esquecer que a primeira Obediência maçônica do mundo, como já foi visto, foi fundada em 1717, no dia de São João Batista. Graças a isso, muitas corporações, embora houvesse um santo protetor para cada um desses grupos profissionais, acabaram adotando os dois São João como padroeiros, fazendo chegar esse hábito à moderna Maçonaria, onde existem, segundo a maioria dos ritos, as Lojas de São João, que abrem os seus trabalhos “à glória do Grande Arquiteto do Universo (Deus) e em honra a S. João, nosso padroeiro”, englobando, aí, os dois santos. No templo maçônico, essas datas solsticiais estão representadas num símbolo, que é o Círculo entre Paralelas Verticais e Tangenciais. Este significa que o Sol não transpõe os trópicos, o que sugere, ao maçom, que a consciência religiosa do Homem é inviolável; as paralelas representam os trópicos de Câncer e de Capricórnio e os dois S. João. Tradicionalmente, por meio da noção de porta estreita, como dificuldade de ingresso, o maçom evoca as portas solsticiais, estreitos meios de acesso ao conhecimento, simbolizados no círculo cósmico, no círculo da vida, no zodíaco, pelo eixo Capricórnio-Câncer, já que Capricórnio corresponde, ao solstício de inverno e Câncer ao de verão (no hemisfério Norte, com inversão para o Sul). A porta corresponde ao início, ou ao ponto ideal de partida, na elíptica do nosso planeta, nos calendários gregorianos e também em alguns pré-colombianos, dentro do itinerário sideral. O homem primitivo distinguia a diferença entre duas épocas, uma de frio e uma de calor, conceito que, inicialmente, lhe serviu de base para organizar o trabalho agrícola. Graças a isso é que surgiram os cultos solares, com o Sol sendo proclamado (como fonte de calor e de luz) o rei dos céus e o soberano do mundo, com influência marcante sobre todas as religiões e crenças posteriores da humanidade. E, desde a época das antigas civilizações, o homem imaginou os solstícios como aberturas opostas do céu, como portas, por onde o Sol entrava e saía, ao terminar o seu curso, em cada círculo tropical. A personificação de tal conceito, no panteão romano, foi o deus Janus, representado como divindade bifásica, graças à sua marcha pendular entre os trópicos; o seu próprio nome mostra essa implicação, já que deriva de janua, palavra latina que significa porta. Por isso, ele era, também, conhecido como Janitur, ou seja, porteiro, sendo representado com um molho de chaves na mão, como guardião das portas do céu. Posteriormente, essa alegoria passaria, através da tradição popular cristã, para São Pedro, mas sem qualquer relação com o solstício. Janus era um deus bicéfalo, com duas faces simetricamente opostas, cujo significado simbolizava a tradição de olhar, uma das faces, constantemente, para o passado, e a outra, para o futuro. Os Césares da Roma imperial, em suas celebrações e para dar ingresso ao Sol nos dois hemisférios celestes, antepunham o deus Janus, para presidir todos os começos de iniciação, por atribuir-lhe a guarda das chaves. Tradicionalmente, tanto para o mundo oriental, quanto para o ocidental, o solstício de Câncer, ou da Esperança, alusivo a São João Batista (verão no hemisfério Norte e inverno no hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas mortais e, por isso, chamada de Porta dos Homens, enquanto que o solstício de Capricórnio, ou do Reconhecimento, alusivo a São João Evangelista (inverno no hemisfério Norte e verão no hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas imortais e, por isso, denominada Porta dos Deuses. Para os antigos egípcios, o solstício de Câncer (Porta dos Homens) era consagrado ao deus Anúbis; os antigos gregos o consagravam ao deus Hermes. Anúbis e Hermes eram, na mitologia desses povos, os encarregados de conduzir as almas ao mundo extraterreno . A importância dessa representação das portas solsticiais pode ser encontrada com o auxílio do simbolismo cristão, pois, para o maçom, as festas dos solstícios são, em última análise, as festas de São João Batista e de São João Evangelista. São dois São João e há, aí, uma evidente relação com o deus romano Janus e suas duas faces: o futuro e o passado, o futuro que deve ser construído à luz do passado. Sob uma visão simbólica, os dois encontram-se num momento de transição, com o fim de um grande ano cósmico e o começo de um novo, que marca o nascimento de Jesus: um anuncia a sua vinda e o outro propaga a sua palavra. Foi a semelhança entre as palavras Janus e Joannes (João, que, em hebraico é Ieho-hannam = graça de Deus) que facilitou a troca do Janus pagão pelo João cristão, com a finalidade de extirpar uma tradição “pagã”, que se chocava com o cristianismo. E foi desta maneira que os dois São João foram associados aos solstícios e presidem às festas solsticiais. Continua, aí, a dualidade, princípio da vida: diante de Câncer, Capricórnio; diante dos dias mais longos, do verão, os dias mais curtos, do inverno; diante de São João “do inverno”, com as trevas, Capricórnio e a Porta de Deus, o São João “do verão”, com a luz, Câncer e a Porta dos Homens (vale recordar que, para os maçons, simbolicamente, as condições geográficas são, sempre, as do hemisférios Norte). Dentro dessa mesma visão simbólica, podemos considerar a configuração da constelação de Câncer. Suas duas estrelas principais tomam o nome de Aselos (do latim Asellus, i = diminutivo de Asinus, ou seja: jumento, burrico). Na tradição hebraica, as duas estrelas são chamadas de Haiot Nakodish, ou seja, animais de santidade, designados pelas duas primeiras letras do alfabeto hebraico, Aleph e Beth, correspondentes ao asno e ao boi. Diante delas, há um pequeno conglomerado de estrelas, denominado, em latim, Praesepe, que significa presépio, estrebaria, curral, manjedoura, e que, em francês, é crèche, também com o significado de presépio, manjedoura, berço. Essa palavra créche já foi, inclusive, incorporada a idiomas latinos, com o significado de local onde crianças novas são acolhidas, temporariamente. Esse simbolismo dá sentido à observação material: Jesus nasceu a 25 de dezembro, sob o signo de Capricórnio, durante o solstício de inverno, sendo colocado em uma manjedoura, entre um asno e um boi. Essa data de nascimento, todavia, é puramente simbólica. Para os primeiros cristãos, Jesus nascera em julho, sob o signo de Câncer, quando os dias são mais longos no hemisfério Norte. O sentido cristão, no plano simbólico, abordaria, então, apenas a Porta dos Homens e, assim, só haveria a compreensão de Jesus, como ser, como homem. Mas Jesus é o ungido, o messias, o Cristo (segundo a teologia cristã) e o outro polo, obrigatoriamente complementar, é a Porta de Deus, sob o signo de Capricórnio, tornando a dualidade compreensível. Dois elementos, entretanto, um material e um religioso, viriam a influir na determinação da data de 25 de dezembro. O material refere-se aos hábitos dos antigos cristãos e o religioso, ao mitraismo da antiga Pérsia, adotado por Roma: Os primeiros cristãos do Império Romano, para escapar às perseguições, criaram o hábito de festejar o nascimento de Jesus durante as festas dedicadas ao deus Baco, quando os romanos, ocupados com os folguedos e orgias, os deixavam em paz. Mas a origem mitraica é a que é mais plausível para explicar essa data totalmente fictícia: os adeptos do mitraismo costumavam se reunir na noite de 24 para 25 de dezembro, a mais longa e mais fria do ano, numa festividade chamada (no mitraismo romano) de Natalis Invicti Solis (nascimento do Sol triunfante). Durante toda a fria noite, ficavam fazendo oferendas e preces propiciatórias, pela volta da luz e do calor do Sol, assimilado ao deus Mitra. O cristianismo, ao fixar essa data para o nascimento de Jesus, identificou-o com a luz do mundo, a luz que surge depois das prolongadas trevas. autoria do Ir José Castellani (*) José Castellani (hoje no Oriente Eterno), médico, escritor e historiador, é autor de mais de sessenta livros sobre a cultura Maçônica, sendo considerado assim, um fenômeno na ampla literatura da Fraternidade. Iniciado em 09.11.1965, logo em 1973, teve seu primeiro livro Maçônico publicado pela Editora A Gazeta Maçônica, sob o título "Os Maçons que fizeram a História do Brasil ". Somou mais de sessenta títulos culturais Maçônicos.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A MAÇONARIA, ESSÊNCIA FILOSÓFICA DO PENSAMENTO HUMANO...

A filosofia maçônica quer defender o homem da ignorância e da incultura; dos temores e das necessidades; da exploração e das injustiças; do fanatismo do dogma e dos tabus, sobretudo da opressão e das tiranias interiores e exteriores de qualquer classe. A Maçonaria buscou sua essência filosófica nas mais diversas escolas do pensamento humano. É possível descobri-la, inclusive, entre os filósofos gregos. Sua identificação fica mais clara ainda, quase que em sua totalidade, junto às escolas filosóficas modernas: Renascimento, Racionalismo e Iluminismo, cujo grande objetivo era a liberação da consciência humana, pois, além da prática do livre pensamento, a filosofia moderna traz impregnada em sua estrutura um programa que vai desde a valorização da vida natural, passando pela ciência e investigação científica, até o reconhecimento dos valores e direitos individuais. A Maçonaria é uma instituição universal, fundamentalmente filosófica, trabalhando pelo advento da justiça, da solidariedade e da paz entre os homens. A tarefa essencial da filosofia maçônica é irradiar a luz dos seus princípios e de seus hábitos para melhorar a condição humana. É tradicionalista e às vezes progressista; isto parece um paradoxo, mas não o é. Tradição é conservar o melhor do passado para utilizá-lo em compreender mais o presente e preparar um porvir melhor para o futuro, separando o valioso do que é sem valor nas doutrinas e sistemas que a História conheceu. A filosofia maçônica deseja que o ser e a existência do homem girem em torno de três valores superiores que a História destacou como as maiores conquistas da humanidade: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Ela, entretanto, mais que nenhuma outra, pondera que, dentre as três, a mais especial é a Fraternidade, pela transcendência e os benefícios que implica e abarca, tanto na esfera do individual como na do coletivo. A filosofia maçônica quer defender o homem da ignorância e da incultura; dos temores e das necessidades; da exploração e das injustiças; do fanatismo do dogma e dos tabus, sobretudo da opressão e das tiranias interiores e exteriores de qualquer classe. Sócrates (469-399 a. C.), um dos maiores filósofos da humanidade, ao examinar o que significa tornar-se humano, tinha por objetivo não mais a ciência ou a natureza, mas o próprio homem. Ele ensinou que pecar é ignorar, e que a purificação da alma passa necessariamente pelo autoconhecimento do homem. Ele introduziu o homem na filosofia e estabeleceu que o melhor instrumento de que este homem dispõe para realizar a missão a que foi destinado é o conhecimento de si mesmo. E este tem sido o objetivo pelo qual, primordialmente, a Maçonaria vem propugnando, ou seja, o CONHECE-TE A TI MESMO. Artigo publicado na edição nº 555 (Fev/2011) do Jornal Centro Sul de Irati/PR

FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DA MAÇONARIA...

A filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do senso comum, e, portanto, começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber... Nossa Augusta Ordem é uma instituição em que o filosofar é tarefa que requer todo o nosso interesse e reclama todo o nosso esforço. Em cada um de nossos símbolos, em cada página de nossos Rituais e em cada etapa da História Maçônica, temos sempre algum vestígio ou princípio de caráter filosófico. Não se pode ser maçom autêntico sem adentrar ao estudo filosofia, especialmente no Grau de Companheiro. Perguntaram, certa vez, a um filósofo: “Para que filosofia?” E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas, sem maiores considerações”. A primeira resposta à perguntas “ O que é filosofia? “ pode ser, pois, a decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. Em outras palavras, distinguir o real do aparente. A filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do senso comum, e, portanto, começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber. Por isso Sócrates, o patrono da Filosofia, afirmava que a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer: “Sei que nada sei”. Preliminarmente, busquemos conhecer suas origens. A palavra filosofia é grega, composta pela junção de duas outras: Philo e Sophia. Philo significa amizade, amor fraterno. Sophia que dizer sabedoria e dela vem a palavra sophos, sábio. Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. O filósofo é aquele que ama a sabedoria, que tem amizade pelo saber, que deseja saber. Os Historiadores de Filosofia dizem que ela nasceu no século 7º e início do século 6º antes de Cristo, embora não seja um fato especificamente grego. Em verdade, a Filosofia grega tem dívida com a sabedoria dos orientais, não só porque as viagens colocaram os gregos em contato com os conhecimentos produzidos por outros povos (sobretudo os egípcios, persas, babilônios, assírios e caldeus), mas também porque os dois maiores formadores da cultura grega antiga, os poetas Homero e Hesíodo, encontraram nos mitos e nas religiões dos povos orientais, bem como nas culturas que precederam a grega, os elementos para elaborar a mitologia grega que, depois, seria transformada racionalmente pelos filósofos. É que os gregos imprimiriam mudanças de qualidade tão profundas no que receberam do Oriente e das culturas precedentes, que até parece terem criado sua cultura a partir de si mesmos. Dessas mudanças, podemos mencionar algumas que nos darão a idéia da originalidade grega: Os gregos transformaram em matemática (aritmética, geometria, harmonia) o que eram expedientes práticos para medir, contar e calcular; transformaram em astronomia (conhecimento racional da natureza e do movimento dos astros) aquilo que eram práticas de adivinhação e previsão do futuro; transformaram em medicina (conhecimento racional sobre o corpo humano, a saúde e a doença) aquilo que eram práticas de grupos religiosos secretos para a cura milagrosa das doenças. Os gregos, diante da herança recebida, inventaram a idéia ocidental da razão como um pensamento sistemático que segue regras, normas e leis de valor universal, isto é, válidas em todos os tempos e lugares. Assim, por exemplo, em qualquer tempo e lugar 2+2 será sempre igual a 4; o triângulo terá sempre três lados; o Sol sempre será maior do que a terra, ainda que pareça menor do que ela etc. Os gregos não inventaram apenas a ciência ou a filosofia. Mas inventaram também a política (palavra que vem de polis, que, em grego, significa cidade organizada por leis e instituições), instituindo práticas pelas quais as decisões eram tomadas a partir de discussões e debates públicos e eram adotadas ou revogadas por voto em assembléias públicas; estabeleceram instituições públicas (tribunais, assembléias, separação entre a autoridade do chefe de família e autoridades pública, entre autoridade político-militar e autoridade religiosa) e, sobretudo, criaram a idéia da lei e da justiça como expressão da vontade coletiva pública e não como imposição da vontade de um só ou de um grupo, em nome de divindades. Analisemos a Filosofia grega em seus dois primeiros períodos: o pré-socrático, ou cosmológico, e o socrático, ou antropológico. Os principais expoentes do período cosmológico foram Tales de Mileto, Pitágoras e Parmênides. Como principais características dessa época, podemos destacar a explicação racional sobre a origem, ordem e transformação da natureza, da qual os serem humanos fazem parte;a afirmação de que “nada vem do nada e nada volta ao nada “, isto é, que o mundo (cosmo) ou a Natureza é eterno; que nada se cria ou tudo se transforma sem jamais desaparecer; e a afirmação de que todos os serem além de serem gerados e serem mortais estão em contínua transformação, sem por isso perder sua ordem, sua forma e sua estabilidade. A mudança – nascer, morrer, mudar de qualidade ou de quantidade – chama-se movimento. E o mundo está em movimento permanente. Já o filósofo Sócrates, considerado o patrono da Filosofia, propunha que antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro, conhecer-se a si mesmo. A expressão “conheça-te a si mesmo”, gravada no pórtico do Templo de Apolo, patrono grego da sabedoria, tornou-se a divisa de Sócrates. SocratesPor fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros, é que se diz que o período socrático é antropológico, isto é, voltado para o conhecimento do homem, particularmente do seu espírito e de sua capacidade para conhecer a verdade. O retrato que a história da Filosofia possui de Sócrates foi traçado por seu mais importante aluno e discípulo, o filósofo ateniense Platão. Segundo ele, Sócrates era um homem que andava pelas ruas e praças de Atenas, pelo mercado e pela assembléia, indagando a cada um: “Você sabe o que é isso que você está dizendo?” “Você acha que conhece realmente aquilo em que acredita, aquilo em que está pensando, aquilo que está dizendo?” “Você diz”, falava Sócrates, “o que a coragem é importante, mas o que é a justiça?” Você acredita que a justiça é importante, mas que é a justiça? Você diz que ama as coisas e as pessoas belas, mas o que é beleza? Sócrates fazia perguntas sobre as idéias, sobre os valores nos quais os gregos acreditavam e que julgavam conhecer. Sua perguntas deixavam os interlocutores embaraçados, pois quando tentavam responder, descobriam surpresos, que nunca tinham pensado em suas crenças, seus valores e suas idéias. Mas o pior não era isso. O pior é que as pessoas esperavam que Sócrates respondesse por elas ou para elas, mas Sócrates, para desconcerto geral, dizia: “Eu também não sei, por isso estou perguntando”. A consciência da própria ignorância é o começo da Filosofia. O que procurava Sócrates? Procurava a essência verdadeira da coisa, da idéia, do valor. Procurava o conceito e não a mera opinião. Qual a diferença entre uma opinião e um conceito? A opinião varia de pessoa para pessoa, de lugar para lugar, de época para época. É instável, mutável, depende de cada um, de seus gostos, e preferências. O conceito, ao contrário, é uma verdade intemporal, universal e necessária que o pensamento descobre, após análise racional, reflexão isenta de preconceitos e pela prática da meditação. Ao fazer suas perguntas e suscitar dúvidas, Sócrates fazia os atenienses pensar, não só sobre si mesmos, mas também sobre a polis. Aquilo que parecia evidente acabava sendo percebido como duvidoso e incerto. Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno – a cicuta – e obrigado a se suicidar. Por que Sócrates não se defendeu? “Porque”, dizia ele, “se eu me defender, estarei aceitando as acusações, e eu não as aceito. Se eu me defender, o que os Juízes vão exigir de mim? Que eu pare de filosofar. Mas eu prefiro a morte a ter de renuncia à Filosofia”. Essa narrativa consta da obra Apologia de Sócrates, isto é, a defesa de Sócrates feita por seus discípulos, contra Atenas. Ao longo da história, o pensamento filosófico percorreu os mais variados caminhos, seguiu interesses diversos, elaborou muitos métodos de reflexão e chegou a várias conclusões, em diferentes sistemas. É verdade que muitos desses sistemas filosóficos e até mesmo religiosos tidos como doutrinas verdadeiras acabaram por se tornar equivocados, na medida em que se arrogaram detentores exclusivos da Verdade, surgindo daí os dogmas, isto é, os pontos indiscutíveis de qualquer doutrina ou sistema, que devem ser aceitos sem exame e sem crítica. Ocorre que a Verdade, esse mistério inatingível, que nos atrai com força irresistível, é muito vasta, muito vivaz, muito livre e muito sutil para deixar-se prender, imobilizar e petrificar na rigidez de um sistema filosófico. Cada ser humano detém a sua verdade, que é a concepção do momento em torno de um assunto, problema ou equação. As verdades científicas, então, são as mais mutáveis. Basta lembrar que em determinado momento da história da humanidade acreditava-se que a Terra era quadrada. Em outra época, que ela era o centro do Universo, com os demais planetas girando em seu redor. Tudo isso nos leva a concluir que a Verdade Absoluta é algo inatingível, é uma abstração. Aliás, a essência da Filosofia não é a verdade absoluta, senão a busca da mesma, o que o Maçom faz, incessantemente, a partir da Iniciação. O saber filosófico maçônico nunca está findo ou concluso, pois filosofar é buscar o saber. As perguntas têm, na filosofia maçônica, maior importância que as respostas, pois, valendo-se do valor dos símbolos, toda resposta provoca e gera outra pergunta. Uma fórmula moderna do que se deve entender por filosofa é conversar consigo mesmo, refletir sobre os próprios pensamentos e meditar para, finalmente, encontrar a sua verdade. São atividades interiores cujos resultados tem se revelado dos mais promissores, posto que brota e floresce da própria consciência. Infelizmente, a atividade filosófica não surge para todos os Maçons, nem se faz presente no momento da Iniciação, uma vez que nem todos estão sintonizados com esses valores. Essa flexão corre porque o homem vive submerso e afogado na vida puramente substantiva e animal, ocupado em satisfazer suas necessidades vitais. Essa maneira de viver é fomentada, na atualidade, pelo mundo da ciência e da tecnologia. Somos escravos do relógio. Trabalhamos como máquinas, obedecemos cegamente a hábitos e rotinas, cumprimos atos triviais e sem sentido, desenvolvemos o ritual em Loja sem nos preocuparmos com o seu real significado. Não podemos “perder tempo” ouvindo um amigo, olhando as estrelas, brincando com uma criança ou vendo um por-do-sol. Pitágoras contava três tipos de pessoas que compareciam aos jogos olímpicos, a festa mais importante da Grécia: as que iam praticar o comércio durante os jogos, ali estando apenas para servir a seus interesses, sem preocupação com os jogos ou com as disputas; as que iam para competir, isto é, os atletas e os artistas, pois havia também competições de dança, poesia, música e teatro; e finalmente as que iam para contemplar os jogos e torneios, para avaliar o desempenho e julgar o valor dos que ali se apresentavam. Esse terceiro tipo de pessoa,dizia Pitágoras, é o filósofo. Com isso, Pitágoras queria dizer que o filósofo não é movido por interesses financeiros, não coloca o saber como propriedade sua, como uma coisa para ser comprada e vendida no mercado. Também não é movido pela competição, quer dizer, não faz das idéias e dos conhecimentos uma habilidade para vencer competidores ou atletas intelectuais, mas é movido pelo desejo de observar, contemplar,julgar e avaliar as coisas, as ações, a vida. Em resumo: pelo desejo de saber. A verdade não pertence a ninguém, ela é o que buscamos e está diante de nós para ser contemplada e vista, se tivermos olhos do espírito para vê-la. O Maçom há de ser um filósofo, na medida em que deve amar a sabedoria, buscar incessantemente a verdade, ir além das aparências, combater a ignorância e os preconceitos, discutir idéias e não coisas, e, principalmente, refletir sobre o Enigma da Vida: “De onde viemos, o que somos, para onde vamos?” Qual o verdadeiro sentido da vida? Qual o nosso papel na sociedade em que vivemos? Quais as nossas possibilidades, quais as nossas responsabilidades? Estamos colocando à Glória do Grande Arquiteto – e a serviço da humanidade – os talentos que Ele nos dotou? Estamos ajudando a construir uma sociedade mais justa e perfeita? Cada um que tire suas conclusões... Ir.´. Ricardo Aparecido dos Reis fonte: Blog Formadores de Opinião